terça-feira, 3 de agosto de 2010

Quase sempre pode ser.

Pode ser que um dia
o amor faça de uma outra maneira...
Construa um céu sem estrelas.
Desenhe um terreno árido e arenoso.

Pode ser até
que o amor se dissolva,
desmonte os seus próprios propósitos...
passe a não nos querer,
assim como se fosse
uma personificação qualquer.

Neste céu
costurado de incertezas
o homem insiste na mecanicidade dos seus gestos.
Teima em viver em repetições...
Luas e mais Luas se dispersam
na mente de um homem
depois de passagens espelhadas entre luzes e sombras........
Até que do corpo se descubram os portais...
Estes,
onde brotam as percepções mais tênues...
Estes,
onde nos surpreende a morada numinosa do amor...

que às vezes, sem nos darmos conta,
faz de uma outra maneira,

resvala por cantos diferentes, derrama
e se perde de nós.

Um comentário:

Unknown disse...

Minha querida Cris,

O homem caminha inexoravelmente tropeçando nos quartos escuros de fases novas sem perceber, por vezes, que algo faz brilhar o seu focinho. Prossegue e se enebria pela ilusão da claridade de uma fase cheia de alegrias perenes que vão minguando pois carecem de luz própria até voltarem a tropeçar na escuridão dos mesmos quartos. Um dia, porém, descobrirão, que antes da primeira pincelada do pintor há apenas escuridão por trás da tela branca.
Seu poema me levou a isso....tudo sempre acaba em amor.
Beijo enorme
Sergio Saldanha