quinta-feira, 22 de julho de 2010

Um olhar de frestas...

Com o rubor da inocência estamos a nos sustentar pelos fios tênues da existencia.
Sem saber do amanhã, vimos o sol ir e voltar tantas vezes e não nos damos conta de paralisar os pêndulos do relógio de nossa alma.
Vimos pelo caminho, abrindo fendas em florestas densas e inexploráveis.
Salta aos nossos olhos o medo e o medo vem vestido em roupas diferentes...o medo se veste de coragem quando estamos diante das florestas da vida.
A flor que nasce sozinha não tem parâmetros.
É preciso prestar atenção nos átimos do tempo.
A alma é um mural imenso e contempla os suspiros da vida...
Vem para os centros do mundo tudo aquilo que traduz a seiva, o sumo...
Atingir este lugar, são frestas que somente nós podemos criar.
Verdadeiramente isso.
Não abrimos frestas sem termos as portas ou qualquer objeto semelhante.
O sentido composto com a mais clara energia é quando criamos as frestas.

Seja isso a frequencia dos nossos segundos, sucessivos e contínuos.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

...íam sobre nós.

Via pelos campos,
a relva verde clara que lá existia e que nunca ninguém percebia.
As correntes de ar dançavam criando desenhos nas nuvens...densas nuvens claras que íam sobre nós e que nós ou ninguém percebíamos.
Pastos, animais, recantos, jardins do nosso fiel exercício de ascensão.
Subimos no imaginário da dor e a concretizamos como a criar um sobrenome em nós.
Rastros da nossa incoerência a nos acompanhar, ciganos que somos, passageiros das tribos que inventamos.
A música dança nas relvas e se mistura às correntes de ascensões que não vemos e ainda não sentimos.
Frestas, nesgas, portas entreabertas, espalham-se pelos caminhos dourados da consciência que ainda não conhecemos.

Os braços abertos para chuva continuam a espera de que uma condescendência nos invada e nos vista com as roupas suaves da nossa impermanência.
Assim é por todos nós.

quinta-feira, 8 de julho de 2010

Seja sempre o que o coração descobre...

Vinha pelas mãos a candura dos meus erros...
Vinha pelas mãos as palavras que mentiam...
Vinha pelas mãos os erros mais tênues.


Pelas mãos, hoje, trago a multiplicidade de tons......
Pelas mãos, desenho no ar os gestos de amor.
Por elas, perco os fios e teço a malha da minha eternidade.


Das mãos, deixo escapar a areia fina do deserto do meu peito adolescente...


Saem das mãos as perspectivas que se desenham nos ventos...
Estas que cegam meus olhos e os fazem arder.
Saem das mãos a música que acalento.


Das mãos brotam sementes de coragem e ternura quando relaxo
e me rendo
e me sinto séria
na minha humanidade.